O frio paira sobre a cidade sem cor, a inércia do tempo era tão presente que a própria solidão se sentia sozinha naqueles becos confusos onde se ouve cantar o fado entre previsões de ciganas que fracassam ao ler a sina de um futuro com fim prematuro. Ouço cada nota entre lágrimas e memórias daquele rosto que sorriu tanto até que se se desfez sobe um vestido branco e um caixão preto, dualidade esta que ainda hoje me marca, questiono, mas sem reacção já que a vida que lutei por alcançar foi destruída pela enfermidade daquela deusa.
Aquele corpo que outrora fora aquecido pelas minhas mãos jaz gélido e pálido sobre a sepultura onde a deixará chegar, sem sentir nem poder evitar. Agora restam apenas memórias, ao recorda-las as lágrimas caem por a minha face até às rosas vermelhas que lhe dei naquele dia de Outono onde lhe pedi para ser minha namorada. Oh vento do norte porque és tão frio, as tuas rajadas cortam a minha alma ao ouvir falar naquele nome que orgulhosamente saiu da minha boca quando a apresentei para a minha família, agora apenas tudo está escuro, ela fechou os olhos, mas fui eu que não pude sentir que o meu adeus ia ser o último que ela ouviria.
Rúben Baptista
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